segunda-feira, agosto 28, 2006

Uma carta a Gastão Moreira

Fala aí Gastão, tudo beleza? Como anda a vida aí em Floripa? Ah, me diz uma coisa: por que mudaram o horário do teu programa de rádio - o Gasômetro, na Atlântida FM - para domingo a noite? Por que nessa hora todos os otários que não gostam de boa música estão vendo o Fantástico? Pode ser. Mas imagino que seja por grana mesmo. Afinal, a RBS andou fazendo um monte de pesquisas e remodelou toda a sua grade de programação – lê-se horários, programas, apresentadores. Claro, continua tudo a mesma porcaria, mas deve estar agradando ao público-alvo da rádio. Mas voltamos ao Gasômetro e seu novo horário.

E aí, o que você achou, Gastão? É melhor um programa de 4h ao invés de 2h? Inicialmente, parece que sim. Mas e o formato, também mudou por causa da pesquisa? Porque agora o Gasômetro está com algumas frescuras à la MTV, coisa que a Atlântida descaradamente adora fazer. Bom, pode ser pra encher lingüiça, pois agora o programa dura o dobro do tempo. E ficar direto tocando som, linearmente, e falando “bobagens” pode não ser muito atrativo durante 240 minutos. Mas parece que as mudanças do programa em si foram impostas. Era mudar ou mudar.

Nem acho que ficou ruim. Pelo contrário, continuo gostando. Mas achei mais levinho e um pouco mais sério, arrumadinho. Mas se formos levar em conta o horário, piorou. Domingo a noite é a hora da lombeira e o Gasômetro sempre serviu de combustível pra começar o sábado, não pra acompanhar a deprê do início da semana. Você não concorda?

Mas não adianta, a rede vive – e muito bem – da publicidade. E publicidade sem audiência não é nada. Por isso, vamos deixar o romantismo de lado. E ver pelo lado positivo: pelo menos o Gasômetro ainda existe. Agora, não sei por quanto tempo.


1 abraço. Juliano Tejada

terça-feira, agosto 22, 2006

Escolha certa

Conhecer Jorge Ben é um deleite para os amantes da música e quase uma obrigação para quem faz. Pra mim ele é como Beatles, Bob Dylan, Elvis, Chuck Berry...De O Rappa a Charlie Brown, de Reino Fungi a Marisa Monte, todo mundo dá a sua furungada na extensa obra do cara, sempre desenterrando algo precioso.

Agora quem ta tocando – e conseqüentemente vendendo - pra caramba com uma música do cara é o Black Eyed Peas, em parceria com o músico “das antiga” Sergio Mendes. A escolhida por eles foi simplesmente “Mas que nada”, originalmente lançada no álbum Samba Esquema Novo. Com essa música, até eu cantando venderia bem.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Gramado generoso

Neste sábado, acompanhei – pela TV – a entrega dos kikitos no Festival de Cinema de Gramado. O prêmio principal foi dividido entre 2 filmes, o documentário Serras da Desordem, de Andréa Tonacci e a ficção Anjos do Sol, de Rudi Lagemann. Ainda não os vi, mas pelo que falaram, as 2 obras são legais. Mas mesmo assim, dividir é algo estranho. Por melhor que sejam, um júri precisa decidir-se entre um ou outro.

Outra coisa que não caiu bem foi a organização da noite de entrega (o resto do festival infelizmente não posso falar). Bem fraquinha. Deslizes na apresentação e muito nome de patrocinador chamado ao palco para divulgar os vencedores. Claramente a ação não era aprovada pelo público. Ficava até chato: quando chamavam algum artista, aplauso, quando chamavam o presidente da “operadora tal”, silencio absoluto. Bem feito. Quem manda misturar dessa maneira capitalismo e arte?!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Colonização alemã, coisas de português

Cada cidade tem suas peculiaridades. Blumenau, lugar onde tenho morado (sim, porque a vida é muito grande pra morar sempre em um só lugar) com certeza tem as suas.

Uma delas é o nome das ruas. Existe aqui uma rua chamada Presidente Vargas. Eu trabalho na Rua Getúlio Vargas, outra via completamente diferente, por incrível que pareça. Outra: conhece aquele ativista político, o Martin Luther King. Pois é, aqui tem a rua Martin Luther. Deve ser o mesmo, né?!

Mais uma das ruas blumenauenses: a São Paulo está presente em mais de um lugar da cidade. Mas neste caso, é a mesma rua. Só que ela simplesmente acaba e recomeça em outro ponto.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Daniel cantando Beatles?!?!

No palco um imitador que fala um “espaniol” mui engraçado. Ele se passa por argentino, fala um monte de merda – no bom sentido – e faz a galera se debulhar de rir. Você sabe o que isso tem a ver com o show The Beatles Songs?

Tudo. Agora, não vem me perguntar por que puseram aquele cara ali, no meio do espetáculo.


Mas bem, falando agora do show e de música, o Beatles Songs é um espetáculo interpretado por uma banda que toca – Bealtes, é claro - acompanhada de um quarteto de cordas da Filarmônica de São Paulo. Ah, tem um piano também.


Bom, o show foi legal. Clássicos de Please Please Me a Let it Be, ou seja, abrangendo todas as fases da maior banda de rock and roll de todos os tempos. Posso até dizer que me emocionei com In my life e Eleonor Rigby. Mas faltou muita coisa boa, algo que pode parecer inevitável em se tratando de uma carreira como a dos Bealtes. Mas neste caso foi pior.

Mas tudo bem, isso não foi o grande problema. O que xaropeou mesmo foi um dos 3 vocalistas, que tinha a cara, o estilo e a voz do Daniel ou qualquer outro cantor sertanejo que seja daquela linha gordo metido a fortinho e a galã. O batera também exagerou. Deve achar que o Ringo tocava mal.

Mas no final valeu a pena, é sempre bom ouvir Beatles sendo tocado ao vivo. E, como me disse uma vez um amigo: cara, tocar Don’t Let Me Down no baixo é foda. O carinha do show tocou de maneira perfeita.


Ah, e o tal imitador, mesmo parecendo não ter nada a ver com um show desse estilo, fez uma intervenção muito interessante (além das bobagens que ele falava entre as músicas). Em Yesterday, ele colocou um bagulho gigante na frente do palco. Ao girar a manivela, a letra passava impressa em folhas, estilo esses painéis de aeroporto. Fez todo mundo cantar, claro.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Chacorro morto

Infelizmente o meu candidato a presidente já nasceu morto. Apesar de achar ele meio chato e sem nenhum poder de convencimento, se eu tivesse transferido meu título, votaria no Cristóvão Buarque. Me parece um cara sério, sempre gostei dele. E tem a coragem de colocar como prioridade em seu governo algo que não dá voto: a educação.

Pois o cara acabou de dar aquela entrevista diária com os presidenciáveis no Jornal Nacional (conhecem o JN? Aquele que faz a caravana Brasil.). E não é que, para a minha surpresa, o casal 20 Bonner/Bernardes chutou o cara como se ele oferecesse algum perigo ao candidato da Globo – que nessas alturas eu já nem sei mais quem é. Ficaram batendo na mesma tecla de ele ter perdido uma eleição e ter sido demitido do Ministério da Educação, como se fossem burros ou desinformados e não soubessem de todo o contexto das histórias. Perderam de perguntar coisas importantes, prejudicando os telespectadores e, consequentemente, o candidato.

segunda-feira, agosto 07, 2006

Por que os Chili Peppers não terminam?

Novamente os membros do RHCP anunciam o álbum de suas vidas, o duplo Stadium Arcadium. Isso já aconteceu antes. E, como os anteriores (Californication e By the Way), bastou eu ouvir umas 4 ou 5 músicas pra não gostar. E eu fui um grande fã da banda. Mother’s Milk e Blood Sugar Sex Magik moraram no meu tape deck (é, ali por 92, 93 eu curtia a maioria dos meus sons no K7!) por muito tempo. Ouvi bastante também o The Uplift Mofo Party Plan, meio atrasado, nessa mesma época.

Mas o que tem vindo desde Californication é muito normal, meloso e, consequentemente, chato. E, como a cada lançamento eles anunciam uma nova obra-prima, significa que eles não tem nem mais noção do que é legal e o que não é. Deviam parar pra não manchar ainda mais a brilhante carreira.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Desesperansa - Um título para quem não tem cedilha no teclado.

É, a coisa vai ser barra esse finde pra quem não possui tevê a cabo. Afinal, neste sábado tem Crianca Esperanca. Sei lá quantas horas dura o negócio, mas parece algo interminável. A proposta do evento até que é louvável, mas também não é algo assim surpreendente. Fazer o que a TV Globo faz é o mínimo que se espera de um veículo de comunicacão do porte da Marinho’s Television.

Mas o evento em si é horrível, uma falta de respeito com a arte da música. Um monte de artista palha, uns até legais queimando o filme e o Didi ali né... Pior mesmo só o Dedé fazendo aquele programa no STB. Então...tá louco, quando crianca, sofri muito tendo somente o Crianca Esperanca pra ver na telinha.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Zumbi de Recife

Como diria Jorge Ben: quando Zumbi chega, é Zumbi quem manda.

No final de 1996 tive a grande satisfação de ver Chico Science (com a Nação Zumbi, claro), ainda quando morava em Pelotas. O meu hábito de não esperar uma segunda vez e sempre que dá, ir aos escassos shows que acontecem nas cidades em que morei e moro foi crucial, afinal Chico morreu 4 meses depois.

Eu gostava muito da banda e era um grande fã de Science. Pra ter uma idéia, fui conhecer coisas clássicas da música muito por causa do que ele ouvia. Mal Conhecia Jorge Ben, mas se o cara era uma das maiores influências deles, devia ser muito bom. Há anos, ouço JB sem parar. E assim, quando ele morreu, me tornei uma viúva do cara e parei de ouvir CSNZ que acabou, óbvio, se tornando somente Nação Zumbi.


Pois bem...há uns 2 anos ouvi alguma coisa meio por cima do disco Nação Zumbi (2002). Achei violento e belo ao mesmo tempo, mas realmente não me dediquei como devia à obra. Neste ano fui ao Campari Rock e, pela segunda vez e depois de 10 anos, vi a Nação ao vivo. Palhaçada o show!!! Rock, maracatu, poesia, psicodelia, guitarradas, peso...muita emoção. Com essa nova experiência, resolvi voltar com tudo, degustando com tranqüilidade “Nação...” e também o último, “Futura”. Com as novas e constantes audições, não tenho medo de dizer que a NZ é o que tem de melhor – ainda – na cena brasileira.