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Sou um grande fã do disco África Brasil, do Jorge Ben, uma mistura genial de samba-rock e poesia. Na verdade, sou um grande fã de Jorge Ben, da parcela que compreende o início da carreira, em 63, até o final dos anos 70, mas esse disco pra mim é o que mais traduz a grande genialidade do cara.
Pois esses dias vi uma cover do Soufly para a música “Ponta de lança africano (Umbabarauma)”, desse disco. Eu já sabia que o Max Cavalera curtia JB, mas nunca tinha ouvido essa versão. Na seqüência, tocou Litle Quail and the Mad Brids, executando a mesma música. O grande mestre merece.
Ouça também: Samba Esquema Novo e Solta o Pavão.
Já que copa é de 4 em 4 anos e eu tenho visto os jogos como nunca, aí vão algumas opiniões minhas sobre o contexto do evento:
- Lamentável o jogo entre Suíça e Ucrânia. Por falta de futebol, as duas seleções deviam voltar pra casa.
-Uma das piores coisas da copa é a cobertura da Globo. A Fátima Bernardes parece até mãe dos jogadores, uma chata cheia de caras e bocas. O Bial continua usando a inteligência dele para o “mal” com aquelas crônicas babacas. E as reportagens são entediantes, sempre com aquele formato locução em off/repórter fala em frente a câmera/depoimento de alguém/fechamento. Isso sem falar no Galvão!
- E, falando em Globo, a emissora vai encher o saco com reportagens sobre o jogo de sábado contra a França. Só to vendo: cenas do jogo de 98, imagens do Ronaldo mal, recordações de todos os que participaram da final...vai ter até gente chorando se bobear (basta entrevistar o Zagallo pra isso).
Hotel Ruanda surpreende mais pela história (baseada em fatos reais) do que pelo contexto da obra. O filme retrata a situação de um homem que, desesperado pelo estouro de uma guerra civil no país, começa a receber refugiados nas instalações do hotel em que é gerente.Mas não que o filme não seja legal. Se não é uma obra-prima, consegue escapar de obviedades que o tornariam chato. E, pra completar, faz com que tenhamos um pouco de noção do que aconteceu àquela época em Ruanda, onde em 3 meses de conflito, 1 milhão de pessoas foram assassinadas, fruto da batalha entre hutus e tutsis (esses, os exterminados). Ou seja, se não tomamos conhecimento da história por meio da imprensa, cá está o cinema nos mostrando a realidade.
Sempre tem um clássico do cinema que não vimos. Pode procurar, isso é incrível: volta e meia a gente se dá por conta de que não viu um filme essencial. No meu caso, essa semana, o escolhido foi Easy Rider (Sem Destino). Passei os olhos pela prateleira e me deparei com a caixa: é hoje. Gostei muito, demais. Escrito e estrelado por Peter Fonda e Dennis Hoper, que foi também o diretor, a película é um delírio. Uma trilha rock alucinante, uma fotografia show – coisa essencial prum road movie legal, uma boa direção, uma montagem moderna e um roteiro pra destruir contam a história de 2 amigos que atravessam as estradas do sul dos EUA. Se não viu, veja.
Os irmãos Coen sempre surpreendem. Seus roteiros são incríveis e eles conseguem criar personagens de uma complexidade inimaginável. É o caso do barbeiro de “The man who wans´t there” (O homem que não estava lá, de 2001), um cara que parece não estar nem vivendo, de tão insignificante.
Mas não vá pensar que isso é um defeito. Numa ótima atuação de Billy Bob Thornton, o filme é carregado de uma aura noir, tanto por ser em P&B como também pela condução do roteiro. E não é só o final que é surpreendente, pois as reviravoltas acontecem a toda hora.
É uma delícia o Tim Maia pós "fase Universo em Desencanto". O disco homônimo, também conhecido como Tim Maia 1977, é tão bom ou melhor que os Racional I e II. Tem música instrumental, refrão que repete por minutos embasado num groove chapado, tem letra cabeça, tem amor...tem Tim Maia em grande forma. Este disco foi relançado pela Som Livre na coleção "Som Livre Masters" e tem ali na Livraria Curitiba (Joinville) por R$30,00.
Pra quem gosta de curta-metragem, o Canal Brasil (65) é uma baita pedida. Os filmes de até 15 minutos (alguns festivais aceitam filmes de 25 minutos ou mais...) estão presentes diariamente na grade de programação.
Tem coisa boa pra ver tanto em produções mais lapidadas quanto em gravações formato Mini DV. Alguns filmes pecam em detalhes ditos importantes, mas mesmo nestes casos podemos encontrar roteiros muito interessantes. Destaco "Eletrodoméstica", de Kleber Mendonça Filho.